sexta-feira, 19 de junho de 2009

Falta de inspiração e apoio




Cheguei confiante no estádio. Após caminhar boa parte da Giovanni Gronchi, encontrar "Dios" Lugano em um Taxi (ele que veio falar comigo e meus amigos!), para assistir à batalha que estava marcada para as 22h, fez eu me sentir inspirado, sentir que sairia de lá mais feliz do que nunca. Me arrepiei ao entrar pelo portão da arquibancada laranja e ver aquela multidão gritando o hino. Fazia tempo que não presenciava tal cena, fiquei chocado. A Independente fazia festa no início, rara ocasião infelizmente. Os 50 mil torcedores presentes estavam na mesma situação que eu, cegados pela confiança.

Com o decorrer do primeiro tempo, o time foi ficando apático(característica típica de 2009), a torcida irritada e o estádio quieto. A tensão e o nervosismo era visto no rosto de todos os 50 mil torcedores presentes. Eduardo Costa parecia um leão no meio-de-campo, corria para todos os lados, brecava todas descidas dos cruzeirenses. O único que demonstrava raça e amor à camisa foi expulso ainda no primeiro tempo (que saudades de Lugano!). Assim, os torcedores corneteiros já começaram: "Muricy, seu burro!", "Com este time não dá!", "Eduardo Costa mercenário!" e etc.

Fiquei indignado. Como que, ainda no primeiro tempo, a "torcida" começa a desistir? Uma sensação furiosa e desesperada me atingiu. Não me conformo com os "pé-frios" que vão ao estádio. Estes podem bem ver o jogo de casa, no sofá, bem-acomodados onde poderão xingar quem quiser sem atrapalhar quem confia no time.

Com a volta para o segundo tempo, com o tempo se esgotando, sem o guerreiro do time, Muricy mexe. E mexe bem. Coloca Hernanes e Dagoberto no lugar de Washington e Junior César. Apesar de ter um a menos, o técnico não poderia acuar o time em casa, considerando a desvantagem. Precisava ir para cima, e suas substituições visavam exatamente isto. Hernanes, como vêm fazendo recentemente, se perdeu na burocracia de seus dribles e ineficiência de seus lançamentos. Perdeu sua função, não é nem volante, nem meia. É perdido. A aposta do professor, de colocar este jogador para rodar a bola no meio, desempenhar função semelhante à de Eduardo, mas com mais saída para o ataque, foi em vão. Por quê? Pois faltou a garra do 10 tricolor.

Dagoberto pelo menos correu. Porém, estava em um dia ruim, como o resto da equipe. Com o passar do relógio, a torcida se calou, o nervosismo era inevitável , já estava sem cabelo ou unhas. Com o primeiro gol da equipe mineira (e que golaço!), me desesperei. Senti um aperto no coração, algo incomparável, uma dor imensurável. Mas ao contrário de 40 mil torcedores desgraçados, não desisti.

Ao final do jogo, queria me esconder, estava com vergonha. Não tive uma oportunidade de gritar "UHHHH!" ou "Bela bola, chuta...QUASE!". O time perdeu sem guerrear, sem brio nenhum. Não foi digno de um São-Paulo. O placar foi merecido. Fiquei louco da vida, pois perder deste jeito, pela segunda vez no ano, em casa, é de se preocupar.

O momento agora é de relaxar a cabeça, procurar erguê-la, pois ainda há um longo caminho. Torcida, se quiser alguma coisa este ano, trate de merecer. Cumpra o seu papel, compareça aos jogos de seu amor. Quando puder, estarei presente ao teu lado Tricolor.

Ao contrário de outros anos, a torcida não apoiou após o gol adversário. Desistiram. Não tinham mais fé no burocrático time do São Paulo. Mas não importa. Se você está no estádio, sua única função é empurrar a sua esquadra, fazê-la confiar, ser o porto seguro dos jogadores. Acabar com a voz, rasgar os pulmões de tanto berrar. É preciso ser a alma do time. Chore, desespere-se, mas não largue seu time, mesmo se ele te largou. Quem joga a toalha é corneteiro, não é o torcedor do São Paulo. Mesmo com um time sem vergonha, com uma diretoria sem vergonha, desistir dele é deixar um amor incondicional para trás, e isto não se faz.

Ser São-paulino nos últimos anos se tornou moda, pois afinal, é um time vencedor. Mas quando o time está largado, sem esperança, no fundo do poço, onde estão os torcedores que dizem idolatrar este time? Ser são-paulino não é conquistar títulos, mas sim, demonstrar amor ao time, nunca desistir, ter a garra uruguaia de Lugano, vestir o manto como segunda pele. O título é consequência. A torcida é a saída do time neste momento, temos que vibrar como nunca, nos juntarmos para criar forças, levantar o time desacreditado. Agora, no momento mais difícil, ao invés de criticarmos a equipe, que tal apoiá-la? Ir ao Cícero Pompeu de Toledo toda partida é obrigação, o fanatismo nesse momento faz bem. "Graças a Deus sou Tricolor, é o meu time de coração. Ele ganhando, ele perdendo, será pra sempre o campeão."

4 comentários:

  1. Mto bom o texto mlk... tbm fui ao desespero qndo aos 20 min de partida (do primeiro tempo ainda) alguns torcedores ja vaiavam o Washinton e pediam a entrada de Dagoberto...

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  2. Rick também fui ao jogo(com seu Pai), fiquei indignado com os corneteiros.
    parabéns pelo blog! está ótimo.

    Henrique

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  3. cara, também estava lá, mas o washington, borges e hernanes mereceram cada vaia. incrível a falta de compromisso, garra e coração desses três. mas seu texto é forte demais, garoto, nos faz pensar em muitas coisas. estou indignado até agora e vou criar um movimento para contestar as absurdas decisões de nossa diretoria e a falta de respeito de alguns jogadores, como os que já citei. quero escrever uma carta, com assinaturas de vários sãopaulinos. vamos ver. abraço.

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  4. entao zé ja fiz uma carta...mas com incentivo aos caras pra ver se da em alguma coisa...porem não vejo como entregar, ainda mais agora, sem o muricy...
    Tava pensando em ir no CT semana q vem falar com o Marco AUrélio q e amigo do meu avo e ver o q acontece...
    abracao,
    Ricardo

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