quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Era dos alas


Sumiram os laterais. Onde estão os verdadeiros camisa 6 e 2? Os últimos laterais de qualidade que me lembro foram Roberto Carlos e Cafu. Estes sim, marcavam e atacavam, não se cansavam de correr, driblavam, cruzavam, enfim, eram o grande diferencial da seleção campeã de 2002. Em 1994, tínhamos Leonardo, Jorginho, Branco (e Cafu). Laterais muito habilidosos e técnicos, melhores até que a dupla de 2002. Na minha opinião, responsáveis novamente pelo título, pois eram o diferencial às outras equipes do mundial. Não que estas não tinham laterais, mas não tinham o futebol brasileiro, moleque, bonito. 

No futebol contemporâneo, o lateral-lateral, que defende e ataca, distribui o jogo para os armadores, vai pra cima com rapidez e coragem impressionante, penetra os flancos direito e esquerdo do adversário, e ao mesmo tempo, está, como um leão, marcando o atacante da outra esquadra sumiu. Este não é mais importante taticamente para um time, pois a presença de dois volantes que correm o campo inteiro, marcam e saem pro jogo, amenizaram a necessidade de ter um corredor pelos lados apenas. O que interessa agora é o lateral-defensor, como Renato Silva, Puyol, Alex Silva, Breno, Maldini. Esses, quando o time joga no 4-4-2, não vão pra cima, mas formam um linha defensiva de 4 jogadores, ou 3, com um lateral solto para atacar. 

Em uma equipe de hoje em dia, um lateral-ala, que ataca, dribla, chuta é mais interessante. É o caso de Junior César, Daniel Alves, Juan, André Santos. Estes municiam o ataque da equipe com dois jogadores a mais, torna o time mais ofensivo, mas na hora de defender, não há cobertura. O que um plantel precisa hoje em dia é esse homem que penetra o bloqueio lateral, que é quase um ponta ofensivo, dos tempos de Leônidas e cia. 

Daqui pra frente, se continuarmos neste passo, veremos cada vez menos jogadores como Zé Luis, Armero, Alessandro, Sylvinho que defendem, cruzam, correm e distribuem o jogo. No mesmo ritmo que veremos mais boleiros de características como Maicon, Rafael e Fábio(Jovens do Manchester United), Marcelo. Se não for demais dizer que daqui a poucos anos veremos uma formação do tipo - 4-3-4, com os antigos laterais ainda mais adiantados, como laterais-pontas.


P.S.: À aqueles que curtem um bom lateral que merece ser lembrado, que demonstrava um futebol mágico e tenho certeza que qualquer um gostaria de ter em suas equipes, veja aqui um vídeo espetacular do maestro Júnior, do Flamengo na final do Brasileiro de 1992.

4 comentários:

  1. vamos trabalhar, ricardo! atualiza o blog!!!
    ps - hernanes e rick ontem foi brincadeira! e tirar o marlos, mesmo mal (mas logo após ele enfiar um lindo passe pro borges perder mais um) pra botar outro volante, é palhaçada demais!
    abraço

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  2. muito são paulino seu texto haha
    dos 4 zagueiros citados, 3 tiveram passagens ou estão atuando pelo tricolor, mas no geral ta bom,
    abraco foh!

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  3. ricardo,
    tem alguns pontos do seu texto que eu até concordo... mas dizer que não existem mais laterais é brincadeira... são poucos os jogadores que tem o preparo físico que tinham o Cafu e o Roberto Carlos, isso realmente voce tem razao... mas você, nao pode descartar as opcoes que existem ainda hoje, como o Fábio do Manchester United e o Sylvinho.
    Por questoes táticas, os técnicos preferiram tornar o meio de campo uma linha divisória. Isso torna os laterais mais centrados e mais explosivos: o resultado é mais dinamico. Mas desconsiderar o Cicinho, que tudo bem, está brilhando pouco atualmente, mas tem o potencial de um lateral a lá velha guarda é um erro.
    Gostei do seu artigo. Muito ousado.
    Abracos
    J. A.

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  4. J. A.,
    concordo que ainda há poucos que restam, porém, sylvinho está em fim de carreira, e quando iniciou a carreira, laterais ainda eram peças cruciais numa equipe. Pode ver que ele não é o titular do Barcelona...normalmente é o Touré, que foi zagueiro na champions e alguns jogos de ala no espanhol.
    Já Fabio, está no Manchester B e vêm sendo aproveitado como lateral muito menos do que quando saiu do Brasil, vi jogos dele atuando até de Centro-Avante.
    Cicinho não posso descordar, por isto acho que este deveria estar figurando na seleção, apesar da ótima fase de Dani Alves. Prefiro ele a Maicon...
    Abraços,
    Ricardo

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