sexta-feira, 29 de maio de 2009

O duelo de deuses



De acordo com a mitologia grega, Titãs são gigantes, filhos de Urano e Gaia, de prodigiosa força, tamanho, coragem, infuência, etc. De acordo com o deus futebolístico, Chelsea, Arsenal, Real Madrid, Milan, Juventus, Internacionale de Milão são Titãs. Agora, o que foi visto no dia 27 de Maio de 2009, no Estádio Olímpico de Roma, foi um duelo maior do que qualquer Titã existente. Foi uma batalha entre os guerreiros mais respeitados e almejados do planeta, do universo. Foi um embate entre as duas maiores potências do futebol atualmente, entre duas equipes de habilidade, tática e técnica invejável. Foi um espetáculo. O jogo pela final da Champions League 2008-2009 entre Barcelona e Manchester United ficará marcado para sempre na história.

De um lado, o campeão Mundial de 2008, bicampeão Inglês, campeão da Liga dos Campeões do ano anterior, esquadra com melhor jogador do mundo eleito pela FIFA em 2008. Do outro, o campeão Espanhol de 2009, campeão da Copa Del Rey 2009. Enfim, era um duelo do time a ser batido e do time que demonstrava a melhor forma de jogar. O futebol tático até então infalível contra o futebol-arte. Um encontro entre os mais mortais boleiros do planeta. A batalha mais encantadora que já vi.

O jogo prometia ser o ataque eficiente, entrosado, rápido e prático do Barça contra a defesa intransponível dos Red Devils. Alex Ferguson escalou seus titulares sem Tevez ou Berbatov, o que indicaria que Cristiano Ronaldo e Rooney iriam comandar os contra-golpes, iriam jogar na retranca. Guardiola, com seu time desfalcado de Rafa Márques e Daniel Alves improvisou sua linha defensiva com Puyol pela direita, Touré e Piqué dcomo beques e Sylvinho pela esquerda. Montou um 4-4-2 com quatro "zagueiros". Do meio pra frente, seria o futebol mágico visto centenas de vezes anteriormente nesta temporada.

Nos primeiros 10 minutos, só deu os Reds, ou melhor, só Cristiano Ronaldo. O time azul-grená parecia um gigante adormecido. Percebendo o sufoco, o treinador de l'equip blaugrana inverteu Messi e Eto'o e desestruturou a equipe adversária. Este nó tático fez a melhor defesa do planeta simplesmente desmoronar. Ferguson não teve o que fazer ao assistir Eto'o cortar Vidic e marcar, de bico, o primeiro gol na primeira finalização da esquadra catalã. Assim, o Manchester caiu. O golpe foi tão forte, que não conseguiu mais voltar a ter o futebol ameaçador das duas temporadas anteriores. A equipe ficou abatida, parecia perder a esperança, enquanto a confiança dos espanhóis só aumentava e contagiava os 62.467 torcedores presentes no Estádio Olímpico de Roma. Com a atitude de um gigante vencedor e raçudo, o Barça liquidou o Manchester. Messi acabou com as últimas esperanças inglesas. Este, além de ter sido genial, foi decisivo. O melhor da outra esquadra se encolheu, sumiu e fracassou.

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Um português insuportável, fominha mas extremamente bom de bola contra o mágico argentino, raçudo, habilidoso e humilde. Dois artistas que prometiam um espetáculo à parte. O primeiro, abriu o show para Messi. Jogou 10 minutos e de lá em diante deixou por conta do mais lúcido jogador do ano. O histórico dos dois, de "pipocar" em decisões foi confirmado por Cristano. Sumiu, quis decidir sozinho, quis ser a estrela. Mas esqueceu que, "uma andorinha não faz verão". O show promovido no dia 27 precisava mais do que só o mágico, precisava de assistentes eficientes, era necessário companheirismo. Companheirismo demonstrado durante 90 minutos pelos catalães.

Messi alcançou o Olimpo do futebol. É certamente o maioral, o mais brilhante, o melhor. Mas este posto não foi alcançado individualmente, e ele sabe disto. Seu time o levou a este ponto, principalmente Xavi e Iniesta. Estes comandam o meio de campo do Barça, sabem marcar, sair jogando e decidir. A melhor dupla de volantes-meias do universo. Se o Barcelona levou este título, foi devido à estes dois esplêndidos artistas da bola. O time chegou a final graças a Iniesta, com um "canudo" certeiro no ângulo de Petr Cech. Xavi cruzou para o segundo gol, de Messi, na final. São o porto-seguro deste time. Messi chegará ao topo do mundo graças a estes dois.


O Barça tem a melhor temporada de sua história. Derrubou o maior gigante que já enfrentou. Mostrou que é o melhor e com méritos. Pep Guardiola chega ao topo da Europa e se junta a um seleto grupo de campeões da Liga como técnico e jogador. O futebol-arte prevaleceu. Dá gosto de assistir este batalhão em campo. É uma sensação única. Além da vitória do Barcelona, é a vitória do jogo ofensivo, sem táticas "à la Muricy", retranqueiras, onde o melhor ataque é a defesa. Esta vitória é uma oportunidade para mudar de vez o futebol mundial e voltarmos a ter belas jogadas e ganhar jogando bonito. Este triunfo me traz esperanças de um futebol mais brasileiro, mais gingado, mais criativo do que nos últimos anos. Tomara que outros times sigam o enorme, monumental Barça e jogue de forma ofensiva e criativa. O time catalão foi mais que um titã, foi maior do que qualquer um possa imaginar, foi um Deus.

P.S.: Se der a lógica, atropelará todos no Mundial de Clubes FIFA, em Dubai, no fim do ano. Mas como o futebol não é lógico, ainda há esperança para Palmeirenses, São-Paulinos, Gremistas e Cruzeirenses.

2 comentários:

  1. O Barça massacra qualquer um desses. Imagina o Richarlyson marcando o Eto´o...
    Abraço!
    Zé Prof.

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  2. Ver o Barça em campo é uma verdadeira lição. Tanto pelo belíssimo futebol, pelo toque rápido, habilidade dos gigantes Iniesta e Xavi e a raça contagiante de Puyol, que confesso, é um dos meus ídolos nesse time, tanto pela raça mas principalmente pelo amor ao Barça. Nos tempos de hoje quase impossível encontrar um jogador que vista a camisa como se fosse a segunda pele, e Puyol faz isso como ninguém ao vestir o manto Catalão. A vitória do Barça me faz pensar em como seria o Brasil voltar a jogar com Brasil, como em 70 e 82. Confesso que de alguma forma ainda tenho essa esperança. Velho.

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