
La Bombonera vibrando, alçapão lotado, bandeiras e foguetes pra todo lado, papéis picados e higiênicos cobrem o tapete verde. Uma cena de disparar corações, mexer com a alma, arrepiar e pior de tudo: rotineira na vida do Boca. É assustador enfrentar o Boca Juniors no caldeirão mais fervente do planeta.E quem diria, que o gigante, o monumental, o líder das américas Boca Juniors iria ser eliminado pelo modesto Defensor, do Uruguai. Um evento que jamais será esquecido e eternamente agradecido pelo campeão da Taça Libertadores deste ano(provavelmente um brasileiro, considerando que a única ameaça era o sólido esquadrão Bocanero).
Noventa e poucos minutos de muito sofrimento, de muita garra, uma verdadeira batalha. Os guerreiros entraram no campo de cabeça erguida, confiantes na vitória. Já o outro time veio fazer jus ao nome: defender-se. Nos primeiros minutos, parece dar a lógica - Boca Juniors vai pra cima, encolhendo seu adversário. A torcida, cresce com o time, impulsiona a esquadra, dá alma à estes soldados. Em poucas oportunidades, os uruguaios achavam uma brecha e atacavam, com toques rápidos e lançamentos precisos - maior característica dos mandantes. Os argentinos eram incansáveis, mas suas armas não conseguiram destruir a muralha Martin Silva. Este sim, foi herói, foi gigante, foi maior que nunca, maior que a pressão da Bombonera.
Com um contra-golpe rápido pelo flanco esquerdo, onde o ótimo Morel Rodriguez defendia, o Defensor encontrou o que queria. Diego de Souza (uruguaio de extrema habilidade, de dotes brasileiros) recebeu na entrada da pequena área, limpou o zagueiro e disparou um golpe certeiro que estufou as redes do arco. Tiro que atingiu todos 49.000 presentes. Um choque tão forte, que se não fosse o gigantesco Boca Juniors, iria nocauteá-lo.
Mas os artistas argentinos não desistiram. No melhor estilo Boca Juniors, atacando com Palacio e Riquelme, Palermo e Morel; o jogo voltou ao padrão do início - o Boca chegando e o Defensor fazendo o que podia, com defesas milagrosas do iluminado Martin Silva. Assim foi até o apito final, o que decretou o fim de uma temporada à ser esquecida pelo magistral Boca Juniors.
Aonde o enorme argentino errou? Não errou, não pecou em nada, mas não era dia de Golias, mas sim de David. Derrubou o mandante com apenas um golpe certeiro nos 90 minutos que certamente foram um dos mais emocionantes que já assisti. Um show de futebol, demonstrado com amor à camisa, garra, vontade e habilidade, realmente uma partida de encher os olhos. O pequeno guerreiro esfriou o mais quente dos caldeirões, calou uma nação, nocauteou o azul e amarelo mais famoso do mundo. Este é o esporte que eu amo, onde nada é decidido, onde tudo pode acontecer, o palco de improbabilidades e impossibilidades, este é o futebol.
cara, seu texto foi uma aula de respeito e amor ao futebol, porque você mostrou, nas entrelinhas, o que nehum jornalista brasileiro mostrou: que a derrota do boca foi a derrota do futebol jogado com arte, garra e amor. achei ridículo a mídia brasileira tirando sarro do boca - sobretudo aquele mala do globo esporte - só porque o caminho fica mais fácil para os clubes brasileiros na libertadores. por isso foi tão bom ler esse texto, escrito por quem realmente ama e sente o futebol como ele deve ser sentido. você sabe o que sigifica esse clube de tanta história e maravilhosa torcida ("igualzinho" a torcida independente né...). você sabe o que o boca representa. grande abraço, garoto, e o jornalismo esportivo precisa de caras que amam o futebol e a verdade como você.
ResponderExcluirzé