sábado, 27 de junho de 2009

Bom início


Apesar de não concordar com a vinda de monsieur Ricardo Gomes, tenho que admitir que foi muito bem na armação do São Paulo hoje, no jogo contra o Náutico, no Morumbi. O placar de 2 a 0 foi justo.

Valorizou o meio-de-campo, a posse de bola, e o ataque. Tirou o time da retranca e fez com que Hernanes jogasse de forma decisiva novamente. Gostei do time armado em um 4-4-2, com Junior César atacando e Zé Luis ficando mais para compor a zaga, numa espécie de terceiro zagueiro. O jogo de hoje foi bem jogado e gostoso de ver comparado aos últimos jogos do tricolor.

Porém, ainda é pouco para analisar o trabalho de Ricardo, devido ao pequeno tempo que está no comando e à fragilidade da equipe pernambucana.

NOTAS:

Dênis: Contou com a sorte em alguns lances. Partida regular, não foi muito exigido. 6,5

Zé Luis: Não fez uma boa partida. Arriscou algumas idas ao ataque, deixando o seu setor aberto. Na defesa, foi regular. 5,0

R. Silva: Não comprometeu. 5,5

Jean Rolt: Marcou o primeiro gol e mostrou-se seguro a todo momento. 6,5

Júnior César: Muito ativado na partida ofensivamente. Foi bem. 6,0

Hernanes(o melhor): Apesar de erros bobos, boa partida, com um gol e uma assistência. 7,0

Eduardo Costa: Nada passa por ele. Deu boa qualidade no passe. 6,5

Richarlyson: Novamente fez boa partida. Está fazendo por merecer esse lugar no time. 6,0

Marlos: Infernizou a zaga. Saiu machucado. 6,5

Washington: Não pode reclamar dessa vez. A bola chegou inúmeras vezes, faltou o domínio. 4,0

Borges: Bela partida, finalizou da forma que pôde. Demonstra raça e realmente é um ótimo jogador. 7,0

Oscar: Logo, logo irá entrar no time titular. Muito participativo em seus 20 minutos em campo. 6,5

Hugo: Entrou bem. Finalizou, armou, foi pra cima. 6,0

Jorge Wagner: Discreto, mas teve pouco tempo para atuar, por essa razão, fica sem nota.

Ricardo Gomes: Belo início! Boa sorte na continuidade de seu trabalho! 7,0

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Glórias do Passado


Vídeo Emocionante da conquista da Libertadores de 1992.



Conquista de 1993


O espetáculo azul


Um espetáculo. Um show de bola. Um jogaço! A vitória mineira por 3 a 1 na partida de ida válida pela semifinal da Copa Libertadores, entre Cruzeiro e Grêmio, foi uma final antecipada. Foi um embate entre o jogo tático e muito eficiente de Paulo Autuori contra o futebol-arte de Adílson. O melhor jogo, sem dúvidas, desta edição do torneio continental. 

Paulo Autuori foi para Belo Horizonte procurando um resultado razoável para poder reverter na partida de volta. Armou seu time em um 4-4-2 parcialmente defensivo. Sabendo da ausência de Gérson Magrão pela esquerda celeste, sabia que este setor não serio muito efetivado no ataque, mas muito eficaz na defesa, com o garoto Henrique na marcação. Colocou Thiego, zagueiro improvisado na lateral direita. Na esquerda, manteve o modesto Fábio Santos (que vive excelente fase), consciente da deficiência defensiva de Jonathan. Ou seja, o tricolor gaúcho, mesmo com três zagueiros, tinha o intuito de ir para cima, surpreender a Raposa. E surpreendeu no início. Desperdiçou chances claras de gol, que custaram o resultado, mas sufocou o Cruzeiro em pleno Mineirão.

Já Adilson armou sua equipe pra frente, com liberdade para atacar, principalmente pela direita, com Jonathan. O time não sentiu falta de Ramires. Fabinho substituiu, e muito bem, o garoto prodígio de Dunga, deixando até o seu golzinho em sua estréia pelo torneio sul-americano. Wágner infernizava os volantes bem postados tricolores. Marquinhos Paraná confundia a marcação quando saia da lateral esquerda. Com um belo nó tático, Adilson prevaleceu. O futebol-arte prevaleceu mais uma vez.

Fiquei impressionado com a facilidade de chegar ao ataque de ambas equipes, sem necessidade de chutões desesperados ao ataque, procurando a ligação direta. Isso ocorre devido à grande habilidade do meio-de-campo de ambos os times. Os passes ocorrem com fluência, há impressionante entrosamento nas esquadras. Os gaúchos, com Tcheco e Souza, os mineiros com Wágner e Marquinhos Paraná. Creio que um desses times irá levar a Libertadores, devido à qualidade do meio. 

 "Quem não faz, toma"- disse Souza, no intervalo. Por pecar em finalizações, o Grêmio não obteve a vantagem. O Cruzeiro, oportunista, fez o gol. A Raposa conseguiu este amplo resultado devido ao aproveitamento de tentos à gol.

 Com tempo se esgotando na segunda etapa, e um placar de 3 a 0, a tensão se elevava enquanto o caldeirão fervia. O jogo foi ganhando ainda mais emoção. A arquibancada tremia, os berros vindos de gargantas empolgadas ecoavam em todo Mineirão. Todo coração celeste vibrava, os 120.000 olhos alagados de emoção, a esperança de alcançar o Olimpo do futebol sul-americano era agora uma realidade se aproximando. Mas aí veio o balde de água fria. Em uma cobrança de falta brilhante de Souza, o Grêmio achou o gol necessário para reacender a chama dos guerreiros gaúchos. 

O Cruzeiro abriu uma bela vantagem. Foi mais eficaz em suas idas ao ataque e não desperdiçou. Com esses importantes gols, a equipe mineira se aproxima da final, mas nada está definido. Jogar no Olímpico, contra o Tricolor Gaúcho, é algo imprevisível. Aguardamos ansiosos o combate entre as duas maiores forças do futebol brasileiro na semana que vem, onde o alçapão gremista vai explodir!




P.S.: Aposto no Grêmio, pelo futebol consistente e a raça que vem apresentando. Lá no Olímpico raramente leva gols e espero a melhor partida do ano. 

P.S.2: Como é mau-caráter esse Maxi López que, alem de cometer um ato de racismo vergonhoso, ainda tem a cara-de-pau de dizer que não sabe o que é macaco! Mas esses argentinos viu... 

sábado, 20 de junho de 2009

O adeus de um guerreiro


O maior guerreiro tricolor dos últimos anos se despede após uma derrota dolorosa. Após três anos e meio de muita luta, muitas conquistas e poucos resultados negativos, foi declarado ontem a noite a saída de Muricy Ramalho, o único técnico tricampeão brasileiro pela mesma equipe. A queda dele acaba com uma era vitoriosa, cheia de glórias e sucedida. Muricy Ramalho é um símbolo tricolor e sai em uma hora em que o time está sem rumo, perdido.

Ao ficar sabendo da notícia de que havia sido demitido, fiquei chocado. Senti um vazio no meu peito, como ver o São Paulo sem Muricy? Não consigo nem imaginar. Fico triste com a saída desse raçudo técnico, acho injusta a saída dele nesse momento em que o time precisa de união, e não saídas em busca de soluções. Ficarei com saudades desse maravilhoso trabalhador, dos momentos difíceis em que ele se apoiava na torcida, batia no braço com orgulho, apontando o sangue tricolor que corre em suas veias. Tudo isso características de um treinador sério e vencedor. Muricy ficará na memória de todos, seus berros a beira de campo, suas gesticulações. Esse fenômeno não será mais visto à beira de campo. Um profissional de personalidade, que soube, por três vezes, reerguer um time desacreditado e sem um camisa 10 para conquistar o mais disputado torneio do mundo. Realmente um vencedor. Um cara respeitado e que sabia das coisas. Muricy, sentiremos sua falta! Culpá-lo por esta derrota é a coisa mais ridícula que já vi dentro do São Paulo.

Por outro lado, toda relação no futebol é desgastante, cansativa e exige muito. O São Paulo precisava trocar algumas peças se quisesse chegar à algum título. A reciclagem no comando do time pode ser algo benéfico nesse momento. Trazer alguém de nova personalidade, com outro tipo de jogar, mas que seja dedicado e de forte personalidade nesse momento pode ser uma boa saída. A vinda de Ricardo Gomes, sinceramente não sei como será, mas no momento parece ser boa, pois é um outro estilo de se levar um time. O jogo manjado são-paulino irá mudar com a troca de Muricy. Não estou culpando-o a nenhum momento, mas em minha opinião, Muricy precisava de descanso e o São Paulo, uma mudança.

Muricy, obrigado por tudo, você realmente é um vencedor, guerreiro e provou que tem amor ao nosso manto. Ficará para sempre marcado na história do glorioso Tricolor. Nunca esqueceremos de você. Obrigado.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Falta de inspiração e apoio




Cheguei confiante no estádio. Após caminhar boa parte da Giovanni Gronchi, encontrar "Dios" Lugano em um Taxi (ele que veio falar comigo e meus amigos!), para assistir à batalha que estava marcada para as 22h, fez eu me sentir inspirado, sentir que sairia de lá mais feliz do que nunca. Me arrepiei ao entrar pelo portão da arquibancada laranja e ver aquela multidão gritando o hino. Fazia tempo que não presenciava tal cena, fiquei chocado. A Independente fazia festa no início, rara ocasião infelizmente. Os 50 mil torcedores presentes estavam na mesma situação que eu, cegados pela confiança.

Com o decorrer do primeiro tempo, o time foi ficando apático(característica típica de 2009), a torcida irritada e o estádio quieto. A tensão e o nervosismo era visto no rosto de todos os 50 mil torcedores presentes. Eduardo Costa parecia um leão no meio-de-campo, corria para todos os lados, brecava todas descidas dos cruzeirenses. O único que demonstrava raça e amor à camisa foi expulso ainda no primeiro tempo (que saudades de Lugano!). Assim, os torcedores corneteiros já começaram: "Muricy, seu burro!", "Com este time não dá!", "Eduardo Costa mercenário!" e etc.

Fiquei indignado. Como que, ainda no primeiro tempo, a "torcida" começa a desistir? Uma sensação furiosa e desesperada me atingiu. Não me conformo com os "pé-frios" que vão ao estádio. Estes podem bem ver o jogo de casa, no sofá, bem-acomodados onde poderão xingar quem quiser sem atrapalhar quem confia no time.

Com a volta para o segundo tempo, com o tempo se esgotando, sem o guerreiro do time, Muricy mexe. E mexe bem. Coloca Hernanes e Dagoberto no lugar de Washington e Junior César. Apesar de ter um a menos, o técnico não poderia acuar o time em casa, considerando a desvantagem. Precisava ir para cima, e suas substituições visavam exatamente isto. Hernanes, como vêm fazendo recentemente, se perdeu na burocracia de seus dribles e ineficiência de seus lançamentos. Perdeu sua função, não é nem volante, nem meia. É perdido. A aposta do professor, de colocar este jogador para rodar a bola no meio, desempenhar função semelhante à de Eduardo, mas com mais saída para o ataque, foi em vão. Por quê? Pois faltou a garra do 10 tricolor.

Dagoberto pelo menos correu. Porém, estava em um dia ruim, como o resto da equipe. Com o passar do relógio, a torcida se calou, o nervosismo era inevitável , já estava sem cabelo ou unhas. Com o primeiro gol da equipe mineira (e que golaço!), me desesperei. Senti um aperto no coração, algo incomparável, uma dor imensurável. Mas ao contrário de 40 mil torcedores desgraçados, não desisti.

Ao final do jogo, queria me esconder, estava com vergonha. Não tive uma oportunidade de gritar "UHHHH!" ou "Bela bola, chuta...QUASE!". O time perdeu sem guerrear, sem brio nenhum. Não foi digno de um São-Paulo. O placar foi merecido. Fiquei louco da vida, pois perder deste jeito, pela segunda vez no ano, em casa, é de se preocupar.

O momento agora é de relaxar a cabeça, procurar erguê-la, pois ainda há um longo caminho. Torcida, se quiser alguma coisa este ano, trate de merecer. Cumpra o seu papel, compareça aos jogos de seu amor. Quando puder, estarei presente ao teu lado Tricolor.

Ao contrário de outros anos, a torcida não apoiou após o gol adversário. Desistiram. Não tinham mais fé no burocrático time do São Paulo. Mas não importa. Se você está no estádio, sua única função é empurrar a sua esquadra, fazê-la confiar, ser o porto seguro dos jogadores. Acabar com a voz, rasgar os pulmões de tanto berrar. É preciso ser a alma do time. Chore, desespere-se, mas não largue seu time, mesmo se ele te largou. Quem joga a toalha é corneteiro, não é o torcedor do São Paulo. Mesmo com um time sem vergonha, com uma diretoria sem vergonha, desistir dele é deixar um amor incondicional para trás, e isto não se faz.

Ser São-paulino nos últimos anos se tornou moda, pois afinal, é um time vencedor. Mas quando o time está largado, sem esperança, no fundo do poço, onde estão os torcedores que dizem idolatrar este time? Ser são-paulino não é conquistar títulos, mas sim, demonstrar amor ao time, nunca desistir, ter a garra uruguaia de Lugano, vestir o manto como segunda pele. O título é consequência. A torcida é a saída do time neste momento, temos que vibrar como nunca, nos juntarmos para criar forças, levantar o time desacreditado. Agora, no momento mais difícil, ao invés de criticarmos a equipe, que tal apoiá-la? Ir ao Cícero Pompeu de Toledo toda partida é obrigação, o fanatismo nesse momento faz bem. "Graças a Deus sou Tricolor, é o meu time de coração. Ele ganhando, ele perdendo, será pra sempre o campeão."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Real está pronto?


Florentino Pérez está formando uma bela esquadra. Desembolsando milhões absurdos, contratando os dois melhores jogadores do mundo, enfim, ele quer vencer. Seu ataque, com a chegada de Kaká e Cristiano Ronaldo (e provavelmente Ribéry), está esplêndido. Uma verdadeira pintura do meio pra frente. Veremos jogadas ofensivas bonitas, toques rápidos, dribles, gols. Será um espetáculo. Mas e do meio para trás?O time madrilenho é fraquíssimo em sua defesa, não é nada mais do que a defesa mal postada do Palmeiras por exemplo, o que explica o chocolate por 6 x 2 sofrido no dérbi espanhol.

O Real ainda é menos time que o Barça. Ainda levará uma goleada desastrosa, pois não tem ninguém nesse time capaz de segurar os avanços de Messi, Xavi, Iniesta e cia. Os galácticos não vão segurar times de tal qualidade técnica e cairão nas oitavas-de-final da Liga novamente.

Contra times menores, será um show ver esta equipe atuar. Será o Palmeiras do começo de 2009. Em nenhum momento duvido da capacidade do time fazer gols, chegar ao ataque com velocidade, jogar bonito. Mas em um jogo onde não é apenas ataque contra defesa, como irá se portar esta equipe?

O conjunto de estrelas também pode vir a ser maléfico para o clube. Panelinha aqui, favores ali, enfim, pode virar uma bagunça mesclada de ciúmes e oba-oba. Espero que dê tudo certo e que o fanfarrão Pérez não esteja errado. Abre o olho, Florentino, o que seu time precisa é de beques e laterais eficientes!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dor Injusta


O Palmeiras caiu nesta noite com um empate tanto quanto injusto. Jogou melhor os 90 minutos, foi para cima e a única jogada do Nacional eram contra-golpes originados a partir de erros dos guerreiros alvi-verdes. O time brasileiro jogou com raça, amor e com certa qualidade, então resta perguntar, o que aconteceu? O futebol não é um esporte onde um mais um é dois, a lógica não cabe ao esporte maravilhoso. Os melhores nem sempre prevalecem. 

O Nacional foi covarde. Jogando em casa, colocou três zagueiros, ficou na defesa, catimbou, jogou feio. E como foi feio o jogo dos uruguaios. Bola no meio de campo, balão pra frente. Foram inúmeros lançamentos errados, chutões sem nenhum objetivo, enfim, um show de horrores só. Mas teve dois fatores a favor - sua torcida inquieta, numerosa, calorosa e a raça uruguaia. Sabem jogar o torneio continental, sabem que o emblema que carregam no peito é muito mais que uma camisa, é uma história, fazem dela a segunda pele. Coates e Muñoz se destacam nesta equipe. Um goleiro ousado e um zagueiro jovem que é taxado como "Luganito"(não preciso nem detalhar como joga este beque então).

O Palmeiras. Foi melhor, foi mais distemido, fez o que devia. Jogou pelo chão a maior parte do tempo, distribuiu passes, rodou o jogo, contou com a habilidade de seus jogadores. Porém, é uma equipe nova, sem muita experiência. O que resultou no descontrole, no nervosismo, nas jogadas egoístas de Cleiton Xavier e Diego Souza. Apesar de serem os melhores nesse time tecnicamente, pecam em decisões, querem decidir sozinhos com chutes de longa distância e fileiras de dribles. A injustiça do resultado não pode abalar esta jovem e veloz esquadra, que tem muito potencial. O certo é erguer a cabeça pois agora tem o Brasileiro, a temporada não acabou, e buscar motivação para conquistar algum título este ano. 

NOTAS PARA OS PROTAGONISTAS:
Marcos: Um símbolo desta equipe. Sou são-paulino roxo mas fiquei arrepiado ao vê-lo correndo para a área, buscando algum milagre (pela enésima vez) no fim da partida. Marcos é brilhante, Marcos é uma muralha, Marcos é um ídolo. Marcos é Marcos. No jogo, pouco trabalho embaixo das traves mas íncrivel trabalho como capitão e palmeirense. 7,0

Pierre: Como é raçudo este experiente jogador. Carrega o Palmeiras no seu peito, não desiste nunca. O mais competente do time. 7,5

Armero: É fraco este lateral. Só é titular pois não há outro. Fez faltas bobas na intermediária. Comprometeu. 4,5

Keirrison: Ou seria "Kemrrison"? 2,0

Obina: Não existe jogador mais azarado que ele. Fez mais que Keirrison em 1 tempo. 5,0

O resto foi indiferente. Ortigoza deu novo gás ao time, Souza se destacou pelo cabelo. Diego Souza foi objetivo na maior parte mas sumiu em alguns momentos. Cleiton Xavier foi bem, mas nada demais.




terça-feira, 16 de junho de 2009

Os dois segundos


Alçapão lotado, bexigas e rojões por todo lado, bandeiras de bambu inquietas, torcida apoiando sem cansar o time que, até os últimos 5 minutos de jogo, seria vice. Com um gol apenas, este time seria campeão do campeonato. Uma final eletrizante, parou a cidade inteira. A cidade maravilhosa do Rio de Janeiro estava com os ouvidos atentos ao radinho, olhos vidrados na TV durante o jgo entre Vasco e Flamengo, pelo campeonato carioca de 2001.

O time rubro-negro tinha sido bicampeão Carioca, e queria mais. Vencia a segunda partida da final contra seu arqui-rival por 2 a 1. E não era o suficiente. Nas arquibancadas, a monumental torcida do Flamengo e o enorme complô de Vascaínos, Tricolores, Botafoguenses aos gritos de "ôoo, vamo vira Vascooo". A felicidade em ver o maior rival, com uma belíssima esquadra, cair, valia torcer para o Vasco. Os cruzmaltinos já comemoravam, com o coração já na garganta, querendo deixar escapar o grito de campeão. Uma virada de mesa, a esta altura, era improvável, quase impossível. Mas esqueceram de avisar toda essa nação carioca, que o futebol não é lógico, muito menos justo.

Aos 42 minutos do segundo tempo, o árbitro marca uma falta da intermediária para o Clube de Regatas Flamengo. Uma falta despretenciosa, sem muito o que fazer. Já os mais fanáticos, viam esta cobrança como a vida, a saída da zombação de toda nação carioca. Petkovic também. Ele ajeita a bola com carinho e, lentamente, todos os ruídos em sua volta, não existem mais. Pet vê a bola, e o gol. Além do arco, escuridão, incerteza e glória. Respira a última vez e se dirige, com cuidado, para a redonda. Lentamente, enquanto o espaço entre a bola e seus pés magicos diminui, o batimento cardíaco de Flamenguistas espera angustiado. Preces a Deus, pois só um milagre guardaria a pelota na "caixa".

Os dois segundos mais longos da vida de Flamenguistas, no curto espaço de tempo em que a bola viaja em direção à meta. O coração desacelera, a respiração não existe, são dois segundos no vácuo. Sua garganta se prepara, seus olhos fixam a bola, seus músculos se contraem. Como quem espera a morte, os rubro-negros, TODOS, esperavam esta bola. Era ou consagração ou desespero. Unhas sendo roídas, cabelos descabelados, sour frio na cara, coração parando. Pernas trêmulas, paralisação. A redonda viaja, atravessa a enorme barreira, que, nesta hora era a maior muralha do universo. O estádio está quieto, faltam pouco menos de um segundo para a glória. Enquanto a bola viaja, tensão sobe, expectativa sobe, adrenalina. Com uma classe que apenas grandes artistas da bola têm, Petkovic vê sua bola, batida de uns 38 metros, entrar, com leveza, no ângulo esquerdo da meta vascaína.

Não há como descrever o que vem em seguida. O mundo cai. O grande Maracanã se torna pequeno demais para esta torcida, para a felicidade da nação rubro-negra, para o êxito dos pulos de Pet. As arquibancadas vêm abaixo, ninguém parece acreditar. O grito de GOL ecoa na cabeça de todos os que estão presentes. Um pesadelo para vascaínos, tri-vice, o maior sonho sendo realizado pelos Flamenguistas. Como diria o grande Nelson Rodrigues, é coisa do Sobrenatural de Almeida, algo que não tem como explicar. Um momento que jamais será esquecido por nenhum amante do futebol, uma cena marcante.

Há outros momentos como esse neste esporte maravilhoso, um chute no fim do jogo que muda a história de tudo. Com apenas um chute, jogadores são capazes de reverter uma situação dolorosa, como a Libertadores de 2008, com Washington marcando aos 47 do segundo tempo. São momentos dolorosos, difíceis de serem superados, mas por outro lado, a melhor sensação para os que vencem. Estes dois segundos em que a bola viaja até entrar no gol trazem a melhor sensação que define o futebol - algo imprevisível, tenso, maravilhoso, indescritível, impressionante. Aí esta a magia da arte dos pés.

P.S.: Clique aqui para ver o vídeo da decisão de 2001.

P.S.: Clique aqui para ver a narração desta mesma decisão por um Vascaíno fanático. Vale a pena para dar risadas!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Era dos alas


Sumiram os laterais. Onde estão os verdadeiros camisa 6 e 2? Os últimos laterais de qualidade que me lembro foram Roberto Carlos e Cafu. Estes sim, marcavam e atacavam, não se cansavam de correr, driblavam, cruzavam, enfim, eram o grande diferencial da seleção campeã de 2002. Em 1994, tínhamos Leonardo, Jorginho, Branco (e Cafu). Laterais muito habilidosos e técnicos, melhores até que a dupla de 2002. Na minha opinião, responsáveis novamente pelo título, pois eram o diferencial às outras equipes do mundial. Não que estas não tinham laterais, mas não tinham o futebol brasileiro, moleque, bonito. 

No futebol contemporâneo, o lateral-lateral, que defende e ataca, distribui o jogo para os armadores, vai pra cima com rapidez e coragem impressionante, penetra os flancos direito e esquerdo do adversário, e ao mesmo tempo, está, como um leão, marcando o atacante da outra esquadra sumiu. Este não é mais importante taticamente para um time, pois a presença de dois volantes que correm o campo inteiro, marcam e saem pro jogo, amenizaram a necessidade de ter um corredor pelos lados apenas. O que interessa agora é o lateral-defensor, como Renato Silva, Puyol, Alex Silva, Breno, Maldini. Esses, quando o time joga no 4-4-2, não vão pra cima, mas formam um linha defensiva de 4 jogadores, ou 3, com um lateral solto para atacar. 

Em uma equipe de hoje em dia, um lateral-ala, que ataca, dribla, chuta é mais interessante. É o caso de Junior César, Daniel Alves, Juan, André Santos. Estes municiam o ataque da equipe com dois jogadores a mais, torna o time mais ofensivo, mas na hora de defender, não há cobertura. O que um plantel precisa hoje em dia é esse homem que penetra o bloqueio lateral, que é quase um ponta ofensivo, dos tempos de Leônidas e cia. 

Daqui pra frente, se continuarmos neste passo, veremos cada vez menos jogadores como Zé Luis, Armero, Alessandro, Sylvinho que defendem, cruzam, correm e distribuem o jogo. No mesmo ritmo que veremos mais boleiros de características como Maicon, Rafael e Fábio(Jovens do Manchester United), Marcelo. Se não for demais dizer que daqui a poucos anos veremos uma formação do tipo - 4-3-4, com os antigos laterais ainda mais adiantados, como laterais-pontas.


P.S.: À aqueles que curtem um bom lateral que merece ser lembrado, que demonstrava um futebol mágico e tenho certeza que qualquer um gostaria de ter em suas equipes, veja aqui um vídeo espetacular do maestro Júnior, do Flamengo na final do Brasileiro de 1992.